A prática da Natação e sua iniciação





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O esporte é um elemento importante no cotidiano do homem moderno desde criança até a terceira idade. Sua prática tem como finalidade uma série de objetivos, entre eles a ocupação do tempo livre, como forma de educação escolar, prevenção de doenças, e lazer.

    A natação é considerada um dos esportes mais completos e que possui menos restrições, como afirmam os autores Wilkie e Kelvin (1984: 12): "A natação é muitas vezes considerada como um dos desportos mais saudáveis. Recomendada pelos médicos, é tida como uma espécie de panacéia, para a vasta gama de doenças". Araújo (1993, [s.n]) traz através da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA) que "[...] nadar representa a ação de auto-propulsão e auto sustentação na água que o homem aprendeu por instinto ou observando os animais. É um dos exercícios físicos mais completos".

    De acordo com Mansolo (1986: 2), a natação é fonte de grandes números de benefícios, tais como:

  • desenvolvimento cardio-circulátório e repiratório;

  • correção e manutenção da postura e prevenção de desvios da coluna vertebral;
  • aumento do volume sanguíneo e muscular do organismo;
  • maior desenvolvimento motor geral (coordenação e ritmo);
  • estimulação endócrina dos processos digestivos e metabólicos;
  • terapia para portadores de bronquite asmática (através do fortalecimento da musculatura responsável pela expiração);
  • recuperação e reabilitação de deficientes físicos e pós-operatório;
  • alívio das tensões e profilaxia da fadiga mental e física;
  • condicionamento físico, auto-confiança e preservação da vida humana no meio líquido (auto-preservação e salvamento);
  • desenvolvimento harmônico do físico e da estética (MANSOLO, 1986, p.2).

    Porém, é certo lembrar que apesar de seus benefícios, não é um esporte de fácil acesso para a maioria da população. Presente em academias e clubes, a natação ainda é restrita à população que possui um poder aquisitivo menor; por causa do acesso às piscinas e do pagamento dos serviços especializados.

    Segundo pesquisa feita pelo IBGE em 2003, mostrou-se que 23% da população está vivendo com um rendimento mensal de um salário mínimo (SM), ou menos, ao mês (atualmente 380 reais); ou seja, um percentual de quase ¼ da população do Brasil. Logo após vem 17,1% que vive com um a dois SM/ mês. E ainda temos os desempregados que constituem uma parte considerável da população. Poucos bairros possuem piscinas públicas, e ainda observa-se que não há profissionais qualificados que possam ensinar essa parte da população. Logo, pode-se perceber que ainda se torna difícil o acesso dessa atividade por toda a população brasileira.

    Uma entrevista feita pela revista Natação Hammer Head (2005), com o então Ministro do Esporte Agnelo Queiroz, que possui conhecimento dos efeitos positivos da natação, relata que está sendo desenvolvida uma política pública, discutindo questões relacionadas à Educação Física Escolar, onde uma das modalidades é a natação. Porém, o incentivo atualmente, é o oferecimento de uma bolsa mensal para aqueles atletas que já possuem algum rendimento1.

    A natação poderia ser analisada como um esporte de infinitas possibilidades e, pelos seus benefícios, deveria despertar um maior interesse por parte do governo, implantando-o em escolas públicas, clubes ou parques com profissionais capacitados, já que promove uma melhoria no desenvolvimento integral de cada pessoa, ajudando-a em sua formação; pois a natação é um esporte que traz benefícios à saúde, envolvendo questões psicológicas e sociais.

    Entretanto, apesar de muitas pessoas estarem impedidas de usufruir dessa atividade, vem aumentando o número de academias de natação e outras possibilidades de acesso à modalidade, que são locais que estão se estruturando para oferecer boas condições para quem vai praticá-la. Estruturas como: piscinas cobertas; aquecimento da água; materiais para o auxílio; novas metodologias; tratamentos e manutenção de piscinas mais acessíveis e menos agressivos ao ambiente e aos usuários, dentre outros.

    Sobre a prática, Araújo Jr. (1993) relata que:

Um aprendiz aproxima-se da piscina com dois intuitos: um, o utilitário, onde o desejo de aprender orientado por alguém prende-se à necessidade de defesa, à vontade de aumentar o campo de diversão e à prática de um exercício salutar, sem obrigatoriedade; outro é aquele que se dirige à iniciação desportiva com objetivos ou com olhos postos no futuro, quando, quem sabe competirá ( ARAÚJO Jr., 1993: 19).

    O aumento da procura da prática de natação, também se norteia pela conscientização das pessoas pelo benefício da prática esportiva, e outras vezes por orientação de um médico, já que é um exercício com baixo número de restrições. O movimento do nado solicita o exercício de uma série de músculos, sem causar impacto nas articulações. O corpo mantém-se estendido na água e sempre sendo alongado promovendo alívio de possíveis dores da coluna vertebral.

    Acarreta um aumento na atividade respiratória, por causa da pressão da água no tórax aliado ao exercício, fazendo com que os pulmões tenham que trabalhar mais, assim como o coração, pelo aumento das trocas gasosas aumentando a circulação. Sobre isso Klemn (1994) salienta que:

O aumento do metabolismo resulta da intensificação dos movimentos respiratórios e da aceleração da circulação do sangue, juntamente com o benéfico crescimento do tecido muscular provocada por esse fator (KLEMN, 1994: 21).

    Na criança, a natação propicia um desenvolvimento ótimo das funções orgânicas. "É aceito de forma geral que a atividade física é essencial para o crescimento normal da criança" (DE ROSE JR, 2002: 65). A prática dessa atividade é oferecida a todas as faixas etárias, incluindo-se aí desde os bebês até idosos. Muitos pais matriculam seus filhos ainda pequenos em programas de adaptação ao meio líquido, esperando que com isso os mesmos aprendam a nadar. Mas o que muitos não têm em mente é que os benefícios de um programa de natação infantil vão muito além do saber nadar.

    Sem dúvida, a natação infantil é um instrumento eficiente de aplicação da Educação Física no ser humano. E também é possível afirmar, no que diz respeito, por exemplo, ao desenvolvimento motor, sua decisiva participação na construção do esquema corporal e seu papel integrador no processo de maturação, como assinala Dasmaceno (1995). Fazendo uma relação da natação com o desenvolvimento motor, Araújo Jr. (1993) afirma que:

A natação, baseada no conceito da psicomotricidade humana, deve-se dirigir a uma formação em que a racionalização do movimento não iniba a criatividade, a espontaneidade, a liberdade do movimento e sua significação e sentido (ARAUJO JR, 1993: 32).

    Nesse sentido, a natação infantil não pode se deter somente ao fato de que a criança aprenda a nadar, mas como afirmam Navarro e Tagarro (1980) apud Santiago (2005), contribuir para ativar o processo evolutivo psicomorfológico da criança, auxiliando-a no desenvolvimento de sua psicomotricidade e reforçando o início de sua personalidade.

    A natação infantil, segundo esses mesmos autores, envolve desde a ativação das células cerebrais da criança, até um melhor e mais precoce desenvolvimento de sua psicomotricidade, sociabilidade e reforço do sistema cardiovascular morfológico.

    Podemos dizer, assim como Cirigliano (1981) apud Santiago (2005), que um programa de natação para crianças, quando elaborado e conduzido por um profissional competente, assume o importante papel de educar integralmente a criança, ajudando-a em seu desenvolvimento integral. Dessa forma, o fim que persegue um método de natação não deve ser unicamente que o aluno chegue a converter-se em um bom nadador. Como salienta Navarro (1978) apud Santiago (2005), o aluno deve também receber um acúmulo de experiências que, através das suas vivências lhe enriqueçam e contribuam à sua melhor educação integral.

    O professor deve estar atento, pois o organismo da criança passa por muitas alterações durante o crescimento e desenvolvimento, por isso deve-se respeitar o desenvolvimento biológico de cada um. Segundo De Rose Jr (2002), as funções orgânicas estão em constantes modificações e o exercício provoca na criança modificações no desenvolvimento orgânico, podendo favorecer ou prejudicar esse desenvolvimento. Makarenko (2001) trás dados científicos referentes à fisiologia evolutiva informando que uma atividade com uma orientação correta, contribui para o desenvolvimento das capacidades e atua na determinação da individualidade de cada criança, ou seja, estimulando para um bom desenvolvimento do organismo.

    Conforme o autor relata, crianças entre três e quatro anos se encontram em um período ótimo para o desenvolvimento do sistema motor, assim como o aperfeiçoamento da fala e mecanismos fisiológicos de movimentos voluntários. Estas são épocas da vida da criança que, deve-se aproveitar para estimular suas capacidades e potencialidades, com o objetivo de favorecer positivamente em seu crescimento e desenvolvimento. Porém, apesar de estarem em uma ótima fase para desenvolver a atividade corporal, é muito importante que o professor tenha a sensibilidade de observar a individualidade e necessidade de cada aluno no processo de ensino, para não tornar a atividade um fator negativo na vida da criança, quando, por exemplo, estes fatores não são levadas em consideração, conforme Makarenko (2001).

    Devido ao forte vínculo que a criança tem (principalmente as menores), especialmente com a mãe, quando separada, muitas vezes, ao iniciar as aulas, estranha. O professor e os colegas são pessoas desconhecidas, não trazendo confiança por serem pessoas alheias a seu grupo de interação social; o lugar, por ser um ambiente novo; a piscina, da qual muitas vezes sente medo pelos mistérios que o meio aquático pode provocar; então cabe ao profissional transmitir segurança e proporcionar descontração para um início positivo. Sobre isso, Palmer (1990) afirma que:

Por de tratar de atividade com excessivo componente psicológico, que envolve medo e ansiedade, o profissional com bom senso conseguirá um equilíbrio entre as aspirações individuais e as necessidades de socialização de seu público (PALMER, 1990: 34)

    Outras, porém, são mais soltas e tranqüilas em relação à piscina, com isso conseguem rapidamente se envolver e descobrem rapidamente o mundo novo e divertido que é debaixo da água. Assim, tanto para aquelas que têm maiores dificuldades quanto para aquela que possui maior facilidade na aprendizagem, acrescentar elementos lúdicos é muito importante para tornar as aulas motivantes e agradáveis adequando-as à faixa etária. Cabe ao professor estar sempre atento às características e necessidades de cada aluno, levando em consideração seu desenvolvimento para respeitá-lo e ajudá-lo em seu processo de aprendizagem.

    Apesar da água ser propícia ao relaxamento e aos processos de aprendizagem, como cita Palmer (1990), algumas crianças possuem medo da piscina, muitas vezes por algum trauma provocado por acidentes, ou simplesmente pela falta de seu contato físico, sentindo um domínio da água sobre ela (a criança):

A tensão muscular também pode ser de origem psicológica. O medo do ambiente aquático também pode resultar em impulsos motores eferentes, sendo transmitidos do cérebro para o músculos, causando contrações das fibras e cansaço prematuro (PALMER, 1990: 23).

    Por isso, deve-se envolvê-la em um ambiente de brincadeiras, mostrando-lhe que a natação é algo divertido, dando-lhe total segurança até que, ficando mais calma, consegue usufruir do momento sem se sentir dominada e acuada pela água. Assim, torna-se viável propor algumas atividades pelas quais poderá perceber aos poucos que vai adquirindo um melhor domínio sobre o local em que se encontra submerso, desenvolvendo sua autonomia na água.

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