Nos 100m livre, Cielo tenta dar resposta ao falastrão Magnussen






A primeira pancada abalou a confiança. James Magnussen abriu o 4x100m livre e quando viu, tinha um americano batendo na borda na sua frente. Algo suficiente para tirar seu sono por dois dias. Enquanto tentava voltar aos eixos, Cesar Cielo assistia a tudo de camarote. Estava atento ao adversário que vira e mexe manda recados dizendo que não tem medo dele. O brasileiro não se abala. É daqueles que trocam palavras por atitudes. Nesta quarta-feira, espera dar a resposta dentro d'água. Embora o australiano de 21 anos seja o favorito para conquistar a medalha de ouro nos 100m livre, Cielo mostrou estar veloz e o desejo de beliscar um lugarzinho no pódio. A final está marcada para as 15h30m (de Brasília), com transmissão do SporTV.

Cesar Cielo na prova dos 100m livres em Londres (Foto: Reuters)
Cesar Cielo diz estar pronto e em boas condições para brigar pelo pódio novamente (Foto: Reuters)

- Estou tranquilo e me sentindo bem. Agora é entrar para fazer a melhor prova da vida - disse Cielo.

Recordista mundial da distância, ele se classifcou com o quinto tempo. Nas semifinais, nadou juntinho com Magnussen e, depois de dar um calor no menino, resolveu segurar nos últimos metros. Parecia um aviso de quem quer dizer: "Estou na briga". Maggie saiu da piscina sorridente com aqueles 47s63. Mesmo ainda longe de seu melhor tempo (47s10), voltou a dar sinais de que o velho Maggie estava de volta: confiante e falastrão. 

- Para ser honesto, vim para essas Olimpíadas pensando que eu não poderia ser batido e talvez  eu precisasse passar por aquela situação do revezamento. Eu preferia que não tivesse acontecido aqui, mas tenho que aprender com isso, seguir em frente e, se eu puder vencer esses 100m livre, será para meus companheiros de equipe do 4x100m livre. Eu quero muito isso e vou fazer o que for preciso - afirmou.

James Magnussen, australiano, depois de nadar os 400m livre (Foto: Getty Images)
James Magnussen está confiante na vitória nos 100m livre (Foto: Getty Images)

Se o rival de Cielo irá aguentar a pressão de uma final olímpica, ninguém sabe. A única coisa certa mesmo é que quem quiser pisar naquele pódio terá de nadar na casa dos 47s. Sem as dúvidas dos tempos de estreante em Pequim-2008, o brasileiro parece saber bem o caminho das pedras. Já passou por essa situação. Caiu na raia 8, achava que não fosse conseguir arrumar nada e terminou com um bronze no peito.

Quatro anos depois, mais maduro e forte mentalmente, Cielo gostou dos 48s17 que garantiram seu lugar na final. Mas tem fôlego para mais. Não quer saber o que Magnussen fala. A atenção está toda voltada para a sua prova. E, claro, sem se esquecer de Yanninck Agnel. O francês responsável por roubar a medalha de ouro dos Estados Unidos no 4x100m livre e que no dia seguinte se tornou campeão olímpico dos 200m livre, estará na raia ao lado do brasileiro.  A briga vai ser boa.



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