França resiste aos doces e confia no ouro






Por enquanto, a aliança na mão direita é o ouro aparente em poder de Felipe França. No dia 29 de julho, o campeão mundial dos 50m peito espera poder ganhar outro, bem maior, em forma de medalha e pelo qual fez sacrifícios durante todo o ciclo olímpico. E continua fazendo. A tentação mora ali, no Crystal Palace, e tem no comando a chef Roberta Sudbrack. Um cardápio com tudo o que gosta, mas com alguns pratos que ele, no momento, só pode comer com os olhos.

natação felipe frança treino crystal palace (Foto: Satiro Sodré / Agif)

Para chegar aos Jogos de Londres em condições de brigar pelo lugar mais alto do pódio nos 100m peito, Felipe aceitou passar por um regime rigoroso. Precisava perder peso, sair de um percentual de 17% de gordura para apenas 10%. Trabalho de um ano, que ele espera ver coroado daqui a poucos dias.

Felipe França, Natação (Foto: Danielle Rocha / Globoesporte.com)

- É uma excelente comida que tem aqui. Eu amo arroz, feijão e bife. Só que tem aqueles doces... Você passa e tem vontade... Mas no dia 30 de julho vou comer tudo! Estou me segurando para não ganhar peso, daquilo que já perdi - ri.

Se é para ganhar alguma coisa, que seja o ouro. Qualquer outra cor de medalha ele diz que o ouvido não escuta.

- Eu treino faz tempo para o ouro olímpico. Eu já mentalizei essa medalha e já está automático no meu corpo, na minha mente e no meu coração. Eu tenho que nadar o mais rápido possível e Deus faz o impossível. A estratégia é voltar como se fosse uma prova de 50m no final e bater na parede na frente. Quando bati o recorde mundial dos 50m peito em 2009 e a ganhei a prata em Roma, vi que precisava nadar bem os 100m também. Vimos que quando estava mais magro, o resultado saía. Nos Jogos de Pequim-2008, fui com a segunda vaga do peito. Desta vez, Deus me colocou o melhor técnico que ele tem para eu ganhar uma Olimpíada e, na vida do meu técnico, colocou o melhor atleta para ele tentar ganhar uma Olimpíada. No dia 29 vocês vão me ver com o ouro.

Felipe França, Natação (Foto: Danielle Rocha / Globoesporte.com)

França e Arilson Silva trabalham apegados aos detalhes. Fazem uso das imagens captadas nos treinos e da análise biomecânica para fazer os últimos ajustes antes da estreia. O brasileiro tem o terceiro melhor tempo da temporada (59s63), atrás apenas dos japoneses Kosuke Kitajima (58s90) e Ryo Tateishi (59s60).

- A prova vai ser muito difícil. Todos estão bem preparados. O que a gente tem acompanhado é que o Kitajima, que sempre foi nossa referência, chega com a melhor marca. Perdemos, infelizmente o Alexander Dale Oen (norueguês campeão mundial da prova que morreu este ano de um problema cardíaco), e coloco também na briga o Cameron van der Burgh e o italiano Fabio Scozzoli. Os australianos também aparecem de maneira forte. Acho que o Felipe tem totais condições de entrar muito forte na disputa e tem experiência suficiente para encarar os adversários de forma igual. A semifinal vai ser a parte mais importante da nossa prova - afirmou Arilson.



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