Fabíola Molina quer fazer a melhor olimpiada da carreira






Experiência de veterana, sonho de menina. Fabíola Molina, 37 anos, chega a Londres para tentar escrever seu nome na história. Com duas Olimpíadas no currículo, a nadadora brasileira quer se despedir dos Jogos Olímpicos em cima do pódio. A meta é ousada, mas ela garante saber o segredo para alcançá-la.

As participações em Sidney (2000) e Pequim (2008) não renderam medalhas, porém deram mais bagagem para Fabíola encarar esse novo desafio na Inglaterra. A experiência mesclada com a força de vontade é a fórmula encontrada pela nadadora para triunfar na disputa dos 100 metros nado costas.

Fabíola Molina Pan-Americano 2011 (Foto: Jefferson Bernardes/VIPCOMM)

– Estou na minha melhor fase. Tanto na parte física, técnica e psicológica. Quero fazer a melhor Olimpíada da minha carreira. Pretendo chegar o mais longe possível e estar entre as melhores – explicou Molina.

Com a ambição semelhante ao de uma iniciante, Fabíola, nascida em São José dos Campos e atleta do Minas Tênis Clube, se espelha nas antigas conquistas para alcançar a mais esperada: a medalha olímpica.

Piscina, o playground de Fabíola

Fabíola Molina nasceu em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Filha de pais nadadores, conheceu as piscinas logo cedo. Aos quatro anos de idade, já dava as primeiras braçadas no Sesc.

- Eu tinha bronquite quando era criança. Por saber que a natação fazia bem para a saúde e também para o indivíduo, meus pais me colocaram na natação. Na minha família, todos gostam de água. Então sempre íamos à praia ou às piscinas. Isso fez despertar meu interesse pela modalidade - relembra Fabíola.

Atraída pelas piscinas pela genética, Fabíola Molina não demorou para disputar as primeiras competições. Aos 10 anos, participou do Campeonato Estreante, torneio que na época era disputado para os atletas se federarem. No mesmo período, participou dos Jogos Regionais, dos Jogos Abertos do Interior, entre outros.

As medalhas conquistadas nesses primeiros campeonatos estimularam a então iniciante nadadora a buscar novos desafios. E a ambição de Fabíola não era pequena.

- Aos 18 anos, fui treinar nos Estados Unidos. Sempre achei importante ter uma formação educacional e me formar. Por isso, para conciliar os estudos e os treinos, fui fazer faculdade lá visando um dia chegar à Olimpíada. Depois que terminei a faculdade, tinha evoluído na natação e quis continuar seguindo meus objetivos. Foi então que decidi me dedicar somente à natação.

Fabíola Molina Pan-Americano 2011 natação (Foto: Memo Garcia/VIPCOMM)

A consagração na natação feminina

A dedicação da atleta foi premiada com quebra de recordes e medalhas. Só em Copas do Mundo, faturou 14 medalhas de ouro, 20 de prata e 15 de bronze em 39 participações. Em campeonatos mundiais, participou 11 vezes e chegou a cinco finais. Hoje, todas as conquistas são representadas por 1005 medalhas.

- Ter conquistado 107 títulos de campeã brasileira Absoluta é um feito muito gratificante para mim - diz Fabíola.

Os recordes também dão orgulho à nadadora. Brasileiros ela conseguiu quebrar sete, sendo quatro em piscinas de 25m e três de 50m. Os números são os mesmo de recordes Sul-Americanos.

O grande sonho

Disputar uma Olimpíada é o desejo de todo atleta. Com Fabíola Molina não é diferente. A primeira da atleta foi os Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000. Para conseguir o índice, precisou batalhar bastante. Em quatro tentativas, a vaga veio somente na última competição. Na época, a natação feminina brasileira não vivia boa fase. Tanto que Fabíola foi a única a ir aos Jogos em Sidney.

- Todas as Olimpíadas que participei foram importantes na minha carreira. É uma competição que marca a vida de cada atleta. E cada uma é diferente da outra, pois vivemos uma fase diferente e estamos em momentos diferentes. Você sempre quer estar o melhor preparado possível. Acho que a preparação é fundamental - afirma.

A vaga em Londres também foi conquistada com muito suor. Além dos desafios normais, uma substância quase a impediu de disputar a terceira Olimpíada. Em 2011, durante a seletiva mundial, o exame antidoping deu positivo por causa da substância metilhexanamina, classificada como estimulante.

Fabíola diz que usou a substância sem saber, por meio de uma amostra grátis de um laboratório. Como suspensão, teve de ficar seis meses fora das competições. O período em que esteve afastada ela afirma que não foi fácil, mas o sonho olímpico nunca saiu de sua mente.

E em abril deste ano, a nadadora carimbou o passaporte para Londres após ganhar medalha de ouro na prova dos 100 metros costas do Troféu Maria Lenk.

- Foi muito gostoso e emocionante. Minha família, meu treinador (Sergio Lopez) e meus companheiros de equipe estavam lá. Foi uma alegria poder compartilhar esse momento de vitória com essas pessoas que estão sempre do meu lado.

A preparação

Subir ao pódio é o objetivo de Fabíola nesta Olimpíada. Para isso, intensificou a preparação nos Estados Unidos. Os treinos foram divididos em dois períodos e a alimentação foi rigorosamente balanceada.

- Tento equilibrar os carboidratos com as proteínas e comer um pouco de tudo. Como bastante fibra, frutas, verduras, leguminosas e bebo bastante água. Evito frituras e gorduras. Pela manhã, os treinos são na piscina. Já no período da tarde, trabalho mais a parte técnica e mental.

natação Fabiola Molina troféu maria lenk (Foto: Satiro Sodré / Agif)


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